Sabado, 06 de Dezembro de 2025

Arte e Cultura

"Parassocial" é a palavra do ano do Dicionário de Cambridge

Descubra como fãs de Taylor Swift, influenciadores e IA transformaram o termo em um fenômeno global.

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Imagine acordar, abrir o celular e sentir que entende as emoções, hábitos e até os dilemas de uma celebridade que você nunca encontrou. Parece familiar? Para milhões de pessoas, essa sensação já virou parte da rotina. E foi justamente essa conexão invisível que levou a palavra “parassocial” ao topo em 2025.

Essa história começa no cruzamento entre cultura pop, internet e comportamento humano, onde um termo criado há quase setenta anos voltou aos holofotes com força inédita.

Parassocial é a palavra do ano
Parassocial é a relação que alguém sente com uma pessoa famosa sem reciprocidade

O termo que renasceu graças à cultura pop

A escolha de “parassocial” como palavra do ano pelo Dicionário de Cambridge não aconteceu por acaso. O aumento repentino de buscas pelo termo veio logo após o anúncio do noivado de Taylor Swift. A internet entrou em ebulição com fãs comentando cada detalhe como se fizessem parte íntima da vida da cantora.

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Comentários como “não estou sendo parassocial, eu juro” tomaram conta das redes e, de repente, uma palavra acadêmica virou trending topic mundial.

“Parassocial é a relação que alguém sente com uma pessoa famosa, personagem fictício ou até uma inteligência artificial, mesmo sem existir reciprocidade.”

Parassocial é a relação que alguém sente com uma pessoa famosa
Muitas pessoas desenvolvem relações parassociais intensas e até prejudiciais

As raízes acadêmicas de um fenômeno moderno

Apesar da popularidade recente, o termo nasceu em 1956. Os sociólogos Donald Horton e Richard Wohl observaram que telespectadores criavam laços emocionais com apresentadores e figuras públicas, como se fossem amigos próximos.

Naquele tempo, era a TV que criava essas conexões. Hoje, as redes sociais levaram o fenômeno a um novo patamar. Influenciadores falam olhando direto para a câmera, contam rotinas, compartilham dramas e vitórias. É como se o público estivesse sempre ao lado deles.

Com o avanço da inteligência artificial, essas relações ganharam mais uma camada. Chatbots, avatares e assistentes digitais passaram a fazer parte da vida cotidiana, criando laços que parecem cada vez mais reais.

Quando a relação parassocial vira um alerta

A professora Simone Schnall, da Universidade de Cambridge, destaca que muitas pessoas desenvolvem relações parassociais intensas e até prejudiciais. O sentimento de intimidade cresce, a confiança aumenta e, antes que se perceba, surge uma lealdade que não é correspondida.

Em um mundo hiperconectado, a linha entre admiração saudável e envolvimento emocional excessivo pode ficar tênue.

“É uma relação unilateral, mas sentida como real. E isso pode levar a comportamentos extremos.”

As palavras que também marcaram 2025

Além de “parassocial”, outra palavra ganhou importância: “slop”, usada para descrever conteúdo de baixa qualidade gerado por inteligência artificial. Um reflexo direto do excesso de materiais criados automaticamente e espalhados pela internet.

O Cambridge também adicionou ao seu acervo cerca de 6.000 termos novos, incluindo “tradwife”, que se refere a esposas que defendem estilos de vida tradicionais. O vocabulário digital e social nunca evoluiu tão rápido.

Por que essa palavra representa o nosso tempo?

As relações mudaram. A forma de consumir conteúdo mudou. O jeito de se conectar também. “Parassocial” virou a palavra do ano porque descreve um fenômeno que atravessa música, cinema, redes sociais, influenciadores e tecnologia.

Em 2025, mais do que nunca, é uma palavra que revela como nos relacionamos em uma era de conexões profundas, mas muitas vezes unilaterais.

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