Já imaginou acordar com a notícia de que seus principais produtos foram taxados em 50% para entrar no mercado dos Estados Unidos? Pois foi exatamente isso que aconteceu: o presidente norte-americano Donald Trump decidiu aplicar uma tarifa salgadíssima sobre tudo o que o Brasil exporta para os EUA. A medida começa a valer a partir do dia 1º de agosto de 2025.
O motivo? Oficialmente, Trump diz estar reagindo contra ações que estariam ameaçando a liberdade de expressão, citando decisões do Supremo Tribunal Federal do Brasil. Mas... será só isso?
Política ou economia? Ou seria o avanço dos BRICS?
Por trás da fala agressiva, analistas começam a levantar outra hipótese: a crescente força dos BRICS, o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países, pode estar incomodando Washington. Afinal, o grupo tem se articulado cada vez mais, inclusive com propostas de criar uma moeda própria para substituir o dólar em transações internacionais.
Para os Estados Unidos, perder a hegemonia do dólar significa perder poder. E o Brasil, sendo uma peça importante dentro dos BRICS, pode estar na mira por isso.
Coincidência ou não, a tarifa chega justamente quando o Brasil aumenta suas exportações e ganha influência global.
O que o Brasil mais exporta para os Estados Unidos?
Mesmo com a tensão, os EUA seguem como segundo maior parceiro comercial do Brasil. Em junho de 2025, exportamos 3,36 bilhões de dólares para lá. No acumulado do semestre, foram mais de 20 bilhões.
Os produtos mais exportados foram:
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Petróleo bruto, com mais de 2,3 bilhões de dólares, apesar de uma queda de quase 25%
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Aço e ferro semiacabados, com 1,9 bilhão
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Café não torrado, com 1,1 bilhão
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Aeronaves e peças, com 1 bilhão
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Ferro-gusa e outras ligas metálicas, com quase 900 milhões
Com a nova tarifa, todos esses itens podem ficar mais caros e perder espaço no mercado americano.
O Brasil compra mais do que vende
Mesmo sendo um grande exportador, o Brasil ainda importa mais dos Estados Unidos do que exporta. Em junho, tivemos um déficit de 590 milhões de dólares, e no primeiro semestre, 1,6 bilhão de dólares.
O que compramos de lá?
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Motores e máquinas industriais, com 3,5 bilhões
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Combustíveis refinados, com 2,2 bilhões
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Aeronaves e peças, com 1,1 bilhão
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Petróleo bruto, com 1 bilhão
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Polímeros de etileno, com 720 milhões
Curiosamente, enviamos petróleo para lá e compramos também. Troca global tem dessas.
O que vem pela frente?
Seja por questões políticas, econômicas ou até geoestratégicas, o fato é que essa tarifa pode mexer com a balança comercial brasileira, impactar o PIB, afetar a indústria de exportação e colocar o Brasil em um jogo de xadrez internacional bem mais complexo do que parece.
Nos próximos meses, o tabuleiro da geopolítica pode mudar... e o Brasil está no centro do jogo.
